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	<title>Ronda da HISTÓRIA</title>
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	<description>PUBLICAÇÃO MENSAL DE ASSUNTOS DO PASSADO</description>
	<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 10:40:02 +0000</pubDate>
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		<title>Morte violenta de três ministros Japoneses</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 10:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos.]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é um episódio da História do Japão anterior à última guerra. Ocorreu precisamente em Março de 1936 e nada menos de três estadistas de relevo na vida nacional foram brutalmente assassinados durante os dramáticos eventos.
Derrotado o partido belicista nas eleições, alguns dos seus elementos mais fogosos e intolerantes não encontraram outra maneira de impor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este é um episódio da História do Japão anterior à última guerra. Ocorreu precisamente em Março de 1936 e nada menos de três estadistas de relevo na vida nacional foram brutalmente assassinados durante os dramáticos eventos.</p>
<p>Derrotado o partido belicista nas eleições, alguns dos seus elementos mais fogosos e intolerantes não encontraram outra maneira de impor as suas ideias senão pela violência. Tentaram um golpe de Estado, querendo assim impedir que o partido pacifista, que já dispunha de cinco ministros entre os onze do Gabinete, assumisse a direcção total da política da nação.</p>
<p>Não agradava aos «revolucionários» que imperasse no país uma política interior menos oligárquica e mais conciliadora no campo internacional. E de acordo com as clássicas tradições dos ultranacionalistas nipónicos tentaram derrubar o Governo, mediante a supressão violenta dos seus principais chefes. Três ministros foram cobardemente assassinados, apesar de a extremista intentona se ter malogrado. A princípio julgou-se que o Primeiro Ministro, almirante Keisuho Ohada, tivesse sido também abatido, mas logo a secretaria do Gabinete distribuiu a seguinte nota:<br />
«Quando a insurreição estalou anunciou-se que o sr. Ohada fora morto na sua residência, mas sabe-se que a pessoa morta era o coronel Denzo Matsuo. Ontem pela manhã o sr. Ohada renunciou por intermédio do Primeiro Ministro interino, sr. Goto.»</p>
<p>Deve-se a um para ele feliz acaso a salvação do almirante nessa emergência. Avisado de que os rebeldes se propunham matá-lo, para o que se dirigiam para sua casa, Ohada conseguiu ocultar-se em sítio diferente. Na sua casa estava, porém, Matsuo, casado com a irmã mais nova de Ohada — e, por trágica coincidência, os dois cunhados tinham flagrante parecença física e, até, vozes idênticas.</p>
<p>Ignorando o facto e crentes de que tinham na presença o Primeiro Ministro Ohada em pessoa, os amotinados não hesitaram: alvejaram o pobre Matsuo, exterminando-o implacavelmente. Ohada salvou-se,assim, da morte, com o sacrifício da vida do cunhado.</p>
<p>A revolta fora prontamente dominada, mas os elementos extremistas, apoiados numa poderosa organização secreta e sanguinária, puderam mais tarde levar os seus propósitos truculentos àvante, apoderando-se do poder.</p>
<p>Viu-se a que pontos o Império do Sol Nascente foi conduzido — e de que ainda — onze anos volvidos sobre Hiroshima — não logrou ressarcir-se.</p>
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		<title>Washington e Frederico, o Grande</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 08:38:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[EM 1776, quebrando todas as tradições militares, Washington aventurou-se numa campanha de inverno, cruzando o rio Delaware, na noite de Natal. Depois de ter capturado mil hessianos em Trenton, Washington, retirou-se para a Pensilvânia, superou em estratégia os melhores generais ingleses, retrocedeu para Nova Jersey e derrotou o inimigo em Princetown. Frederico, o Grande, chamou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>EM 1776, quebrando todas as tradições militares, Washington aventurou-se numa campanha de inverno, cruzando o rio Delaware, na noite de Natal. Depois de ter capturado mil hessianos em Trenton, Washington, retirou-se para a Pensilvânia, superou em estratégia os melhores generais ingleses, retrocedeu para Nova Jersey e derrotou o inimigo em Princetown. Frederico, o Grande, chamou a essa campanha a mais brilhante do século.</p>
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		<title>Rasgo heróico duma altiva Romana</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Jul 2008 18:20:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos.]]></category>

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 A História está repleta de figuras femininas que a qualquer título se tornaram famosas. Nas épocas mais remotas, na Ásia, na Grécia e em Roma, na misteriosa e poética penumbra dos séculos primitivos, aparece a mulher como uma divindade, cercada de nobres atributos, culto sagrado da veneração do homem. Rivalizando com as altivas matronas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8" /><meta name="ProgId" content="Word.Document" /><meta name="Generator" content="Microsoft Word 12" /><meta name="Originator" content="Microsoft Word 12" /></p>
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<p>Piutarco, na sua primeira viagem a Roma deteve-se um dia, na Via-Sacra, diante da estátua de Clélia montada em fogoso corcel, ficando-se algum tempo a apreciar a extraordinária heroína que já havia excitado a admiração de Porzena, o rei dos Etruscos.</p>
<p>A História completa o quadro, referindo o rasgo de heróico valor que tornou célebre o nome da ilustre dama.</p>
<p>O ódio entranhado nos diferentes ambiciosos que anelavam o poder supremo, agitava Roma, cobrindo-a de sangue, luto e extermínio</p>
<p>Os Tarquínios, expulsos pelos seus rivais, procuraram refugiar-se nos Estados dependentes dos príncipes italianos e conseguiram que Porzena, rei da Etruria, abraçasse a sua causa e intentasse reconquistar-lhes o trono.</p>
<p>Nesse intento, encaminhou-se a Roma, à frente das suas legiões, cercou-a, e depois de alcançar vitória nas margens do Tibre teria entrado triunfante na cidade se lhe não saísse ao encontro, na ponte Publicus, Horácio Codes, que a defendeu com denodada energia. Porzena, desanimado, resolveu bloquear a cidade no intuito de conquistá-la pela fome, mas um jovem romano, chamado Mucio Scévola, formou o arrojado projecto da libertar a pátria. Penetrando até a tenda de campanha do príncipe, assassinou por engano o secretário. Conduzindo à presença de Porzena, o heróico mancebo colocou a mão sobre um braseiro e deixou-a queimar para impor a si mesmo o castigo de se ter equivocado.</p>
<p>O rei de Etrúria — diz Tito, aterrado perante este valor sobre-humano, apressou-se a celebrar a paz com Roma recebendo em reféns dez donzelas e dez moços pertencentes às mais ilustres famílias. Entre as donzelas achava-se Clélia.</p>
<p>A corajosa menina banhava-se um dia no Tibre, juntamente com as suas amigas. Em frente delas avistava-se Roma, iluminada pelos raios do sol, fendendo com os seus altos capitéis as nuvens vaporosas.</p>
<p>— Quem me ama, siga-me — ex-clamou Clélia entusiasmada. — Dentro daqueles muros aguardam-nos os braços de nossas mães, a liberdade e a glória!</p>
<p>E atravessou a nado a caudalosa corrente, seguida pelas suas companheiras. Chegando à margem oposta, saltou na praia, penetrou em Roma e apresentou-se no Senado, rodeada pelos aplausos e vivas frenéticos da multidão delirante.</p>
<p>Todavia, a fé dos tratados representava para aqueles séculos primitivos um dogma sagrado.</p>
<p>O cônsul Publicola, admirando embora e vitoriando a arrojada proeza das donzelas, entendeu que era do seu dever devolvê-las a Porzena, encarregando-se ele próprio de reconduzi-las à sua corte.</p>
<p>Chegados à presença do rei este, penetrado de admiração, perguntou qual delas tinha sido a que concebera o ousado projecto.</p>
<p>— Eu! — exclamou  corajosamente Clélia, adiantando-se — Eu só. Caia sobre mim apenas a tua justa cólera! Nascido de uma família livre não podia suportar por mais tempo a escravidão.</p>
<p>O rei da Etrúria — escreveu o historiador Aurélio — apreciando simultaneamente a lealdade dos Romanos e o valor heróico da donzela, converteu-se de inimigo em amigo, uniu-se em estreita aliança com Publicola, expulsando dos seus Estados os turbulentos Tarquínios. E em vez de punir Clélia ofereceu-lhe um formoso cavalo emplumado, para que regressasse livre à cidade e vivesse honrada e abençoada.</p>
<p>Com efeito, o seu nome glorioso inscreveu-se nos fastos da República, ao lado dos de Núncio Scévola, Horácio Codes e outros mártires da independência da pátria.</p>
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		<title>Adriano Utrecht teve uma mocidade paupérrima</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 05:21:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos.]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelos meados do século XV distinguia-se entre os estudantes da Universidade de Lovão o jovem Adriano, filho de um tecelão de Utrecht.
Adriano estudava com infatigável perseverança. Algumas vezes com os olhos cansados e o corpo abatido pela fadiga, obrigavam-no a interromper a leitura; mas o seu amor ao estudo reanimava-lhe bem depressa as forças. Ávido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelos meados do século XV distinguia-se entre os estudantes da Universidade de Lovão o jovem Adriano, filho de um tecelão de Utrecht.<br />
Adriano estudava com infatigável perseverança. Algumas vezes com os olhos cansados e o corpo abatido pela fadiga, obrigavam-no a interromper a leitura; mas o seu amor ao estudo reanimava-lhe bem depressa as forças. Ávido de toda a espécie de instrução estudava constantemente a origem de todas as ciências.</p>
<p>Seus maravilhosos progressos não tardaram a excitar a inveja dos outros estudantes sobretudo dos mais ricos e menos estudiosos. Ele nunca aparecia depois das aulas. Uma noite alguns de seus colegas espiaram-no com a esperança de o encontrar em qualquer falta.<br />
Ele percebeu que era seguido e desapareceu facilmente das vistas dos outros.<br />
Estes continuaram a passear pela cidade, esperando que qualquer feliz acaso os fizesse encontrar o perseguido. Era já perto de meia noite, quando lhes veio a ideia de visitar a igreja de S. Pedro, não que julgassem encontrar ali Adriano, que se tinha dirigido para outro lado, mas para que a exploração fosse completa.<br />
Quando chegaram junto à igreja, um dos mais belos e mais imponentes edifícios dos Países Baixos, um deles exclamou:<br />
— Ou me engano muito, ou estou vendo uma figura humana parada, quase envolvida pela penumbra, e que parece estar a ler.<br />
Caminharam para o lugar indicado e ficaram mudos de espanto, ante uma figura de rapaz pálido e com o rosto demonstrando fadiga, curvado sobre um livro lendo à escassa luz duma lâmpada.<br />
&#8211;É Adriano! — exclamaram.<br />
Vendo-se surpreendido ele levantou a cabeça. O rosto tornou-se-lhe cor de púrpura. Então levantou-se e disse-lhes:<br />
— O mistério está enfim descoberto: sou muito pobre e como não tenho dinheiro para comprar velas, desde que estou aqui tenho-me aproveitado de qualquer canto duma rua para estudar.<br />
— Mas como podes suportar o frio? — perguntou-lhe admirado, um companheiro.<br />
— O frio? — disse Adriano sorrindo; e colocando a mão ardente na do colega, continuou, pondo, em seguida, a mão sobre o coração. — Tenho aqui qualquer coisa que desfaz o frio e a inveja.<br />
Mas agora ninguém pensava em invejá-lo. A datar desse momento, todos tiveram por ele profunda estima. Adriano graças ao seu talento, elevou-se ao posto de vice-chanceler na mesma Universidade, onde tinha sido pobre estudante. Mais tarde foi nomeado preceptor de Carlos V e protegido por esse discípulo, tornou-se o primeiro ministro de Espanha e, enfim, Soberano Pontífice, sob o nome de Adriano VI.</p>
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		<title>Todos os caminhos vão dar a Roma</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 08:12:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[As estradas de Roma antiga partiam da Cidade Eterna em todas as direcções.
Acompanhando a expansão do Império os Romanos construiam as suas estradas, rasgando-as de modo que os soldados, os mercadores e os viajantes, pudessem facilmente ter acesso à capital do mundo antigo. Por isso se justifica a conhecida expressão: Todos os caminhos vão dar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As estradas de Roma antiga partiam da Cidade Eterna em todas as direcções.<br />
Acompanhando a expansão do Império os Romanos construiam as suas estradas, rasgando-as de modo que os soldados, os mercadores e os viajantes, pudessem facilmente ter acesso à capital do mundo antigo. Por isso se justifica a conhecida expressão: Todos os caminhos vão dar a Roma.</p>
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		<title>Papas Franceses</title>
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		<pubDate>Sat, 31 May 2008 09:01:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A França celebrou, há poucos anos, em Aurillac, com grandes festas, o milenário do nascimento do primeiro Papa francês, Silvestre II, que dirigiu o mundo católico de 999 a 1003.
De pastor de carneiros, descoberto pelos monges de uma abadia local, tornou-se Gilbert d&#8217;Aurillac - era esse o sou nome antes da elevação ao Papado - [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A França celebrou, há poucos anos, em Aurillac, com grandes festas, o milenário do nascimento do primeiro Papa francês, Silvestre II, que dirigiu o mundo católico de 999 a 1003.<br />
De pastor de carneiros, descoberto pelos monges de uma abadia local, tornou-se Gilbert d&#8217;Aurillac - era esse o sou nome antes da elevação ao Papado - um dos grandes sábios da época, químico, geógrafo, inventor de um relógio de rodas, fabricante de órgãos hidráulicos, precursor de Galileu.</p>
<p>Depois de Silvestre II, foram eleitos Papas os seguintes franceses: Nicolau II, em 1059; Urbano II, em 1088; Gregório VII, em 1118, Calisto II, em 1119; Urbano IV, em 1265; Inocêncio V, em 1276; Martinho IV em 1281; Clemente V, em 1305; João XXII, em 1316; Clemente VI, em 1342; Inocêncio VI, em 1352; Urbano V, em 1362, e Gregório XI, em 1370. Os seis últimos foram Papas em Avinhão.</p>
<p>O último Papa não italiano foi eleito em 1522.<br />
(Nota: O artigo foi escrito em 1957)</p>
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		<title>Nos tempos antigos já havia Homens-rãs</title>
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		<pubDate>Fri, 30 May 2008 07:49:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos.]]></category>

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		<description><![CDATA[Muito antes de conhecer os escafandros, o homem tem sentido desde os tempos imemoriais a atracção dos segredos e da profundidade dos mares. Para os conhecer não tinha outro meio que o de submergir. Mas, então, não podia passar de uns quarenta metros de profundidade, e, além disso, a imersão tinha de ser breve.
A lenda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito antes de conhecer os escafandros, o homem tem sentido desde os tempos imemoriais a atracção dos segredos e da profundidade dos mares. Para os conhecer não tinha outro meio que o de submergir. Mas, então, não podia passar de uns quarenta metros de profundidade, e, além disso, a imersão tinha de ser breve.</p>
<p>A lenda transmitiu-nos a recordação de um extraordinário homem-rã: o siciliano Pescicola, quer dizer Nicolás el Pez. Este nadador levava as cartas de ilha em ilha, e dizem que passava vários dias no mar, alimentando-se de pescado cru.<br />
Achando-se em Messina, Frederico, rei da Sicília e tendo ouvido falar de Nicolás el Pez, fê-lo ir à sua presença e mostrando-lhe o rugidor redemoinho de Caribdis, lançou-lhe um magnífico copo de ouro, excitando Pescícola a que mergulhasse e fosse buscá-lo.<br />
Pescícola arrojou-se ao torvelinho sem hesitar. Mais de três quartos de hora — pretende a lenda, exageradamente — esteve debaixo de água enquanto o rei e o gentio esperavam com ansiedade. Até que Nicolás reapareceu triunfante com o valioso objecto, mas espantosamente pálido.</p>
<p>Frederico da Sicília perguntou-lhe o que havia visto, ao que ele contestou:<br />
— Oh, rei! Fiz o que querias, mas sem saber ao que me expunha. Primeiro, uma tromba monstruosa de água colheu-me e volteou-me em todos os sentidos, antes de eu poder atingir o fundo. Ali encontrei rochas e grutas como há nas montanhas terrestres. Não podia andar sem ferir os pés e com riscos de me perder. Depois, um segundo redemoinho me arrastou para mais longe e então vi um espectáculo horroroso: polvos gigantescos, em grande número, agarravam-se às rochas e agitavam os seus enormes tentáculos tentando colher-me. Se algum me tivesse apanhado estrangular-me-ia num só apertão. Havia, também, uma multidão de peixes desconhecidos, de bocas formidáveis armadas de terríveis dentes.<br />
Naquela profundidade mal se via, quando de pronto adverti o brilho de uma coisa. Era o copo de ouro. Apanhei-o e ei-lo aqui, ó rei!</p>
<p>Frederico não satisfeito com essa primeira experiência, tratou de incitar ainda mais o orgulho e a necessidade do desgraçado, e tomando novo copo de ouro mais valioso do que o primeiro, arrojou-o igualmente ao abismo.<br />
Pescicola vacilou um pouco — e o rei e a multidão estimularam-no com os seus gritos. Ele acabou por lançar-se à água. Em vão o esperaram desta vez. O mergulhador não apareceu mais. A tromba submarina atirou-o decerto contra uma rocha ou foi rebentado pelos tentáculos de algum polvo.</p>
<p>Como acontece com todas as lendas, este relato baseia-se sem dúvida num facto real. A imaginação popular avolumando-o, engrandeceu as proezas do nadador siciliano. Talvez Peseieola tenha sido o primeiro homem que conheceu, alguns dos animais que povoam o fundo dos mares.</p>
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		<title>D.Pedro II, do Brasil e Disraeli</title>
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		<pubDate>Thu, 29 May 2008 10:25:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[D. Pedro II, imperador do Brasil, quando Manuel Francisco Correia era ministro do Exterior, agraciara Disraeli com a comenda da Ordem da Rosa. O estadista britânico teria escrito ao ministro dizendo que, devido à sua elevada posição, como primeiro ministro, não podia receber aquele grau, pois era grã-cruz de várias ordens. O conselheiro Correia, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>D. Pedro II, imperador do Brasil, quando Manuel Francisco Correia era ministro do Exterior, agraciara Disraeli com a comenda da Ordem da Rosa. O estadista britânico teria escrito ao ministro dizendo que, devido à sua elevada posição, como primeiro ministro, não podia receber aquele grau, pois era grã-cruz de várias ordens. O conselheiro Correia, um tanto embaraçado, foi comunicar o caso ao imperador, que se irritou, exclamando:</p>
<p>— Pois não lhe dou outra coisa!</p>
<p>E não deu&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um conselheiro do parlamento Francês concebe maquiavélico plano para se apoderar da fortuna da cunhada</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 07:17:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos.]]></category>

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		<description><![CDATA[Ouvi muito bem, a senhora marquesa — depôs a camareira indiscreta — declarar à sua amiga, Sr.ª de Chambonneau, que só podia contar com o Sr. Cavalheiro de Rose para a desembaraçar do seu marido! E que, se ele o fizesse, estaria pronta a pagar-lhe duzentos luíses!
Ora, o marquês de Sassy, justamente, acabava de desaparecer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouvi muito bem, a senhora marquesa — depôs a camareira indiscreta — declarar à sua amiga, Sr.ª de Chambonneau, que só podia contar com o Sr. Cavalheiro de Rose para a desembaraçar do seu marido! E que, se ele o fizesse, estaria pronta a pagar-lhe duzentos luíses!<br />
Ora, o marquês de Sassy, justamente, acabava de desaparecer no decorrer de uma viagem a Bruxelas feita em companhia do cavalheiro de Rose! Ali estava uma testemunha preciosa, sem ambiguidade, que não podia ser recusada pela justiça. A Sr.ª de Sassy e a Sr.ª de Chambonneau foram presas.<br />
O facto do desaparecimento não era discutível. O Sr. de Sassy, antigo coronel de infantaria, brilhante soldado e senhor de bela fortuna, deixara Paris em fins de Abril de 1704, com destino à Flandres, onde tinha negócios. Viajava na sua carruagem, conduzida pelo seu cocheiro François Larive, e acompanhado por seu intendente, Alexandre, de origem levantina, e que os Sassy haviam enobrecido não se sabe porquê, tratando-o por cavalheiro de Rose. A carruagem chegara realmente a Bruxelas, mas vazia! Interpelado, o cocheiro pretendia que o seu senhor descera do veículo em Senlins, ordenando-lhe que levasse o cavalheiro de Rose até à grande cidade flamenga. Em Bruxelas, Alexandre dera liberdade a Larive, convidando-o a voltar em pequenas etapas, a Paris, enquanto dele mesmo não dera mais sinal de vida. Quanto ao coronel, também não se ouvira mais falar.</p>
<p><strong>Ódio movido pela ambição</strong></p>
<p>Ali estava um conjunto de circunstâncias estranhas e que, reunidas ao testemunho da camareira, justificava um certo alarme. O primeiro a manifestar inquietação, foi um cunhado do marquês, conselheiro no Parlamento de Paris, homem ambicioso, ávido por dinheiro, inescrupuloso e gozando de elevada autoridade sobre os seus colegas do Parlamento, Sr. de Villers.<br />
Villers tinha razão para se agitar pois que odiava a cunhada e havia feito o impossível para impedir o seu casamento com o marquês de Sassy. Esse matrimónio tirava-lhe as esperanças de algum dia herdar os bens consideráveis do antigo coronel. Casamento que, além do mais, tinha uma história um tanto escandalosa a contar: a Sr.ª Margarida de Gaudon desposara em primeiras núpcias o Sr. de Ris, capitão na Cavalaria Ligeira e que morrera na Itália, em 1692, no Exército real. Tivera um filho que como o pai, morreria também, na Itália, em 1702. Desde muito tempo ela fora amante do Sr. de Sassy, embora fosse este sensivelmente mais jovem que ela. Na época em que se desenrola a nossa história, contava ela quarenta e seis anos, enquanto o marquês tinha apenas trinta e quatro. Convém acrescentar que a Sr.ª de Ris teria podido legitimar, desde o início, os seus amores com o antigo coronel que logo manifestara o desejo de a desposar. Ela recusara, considerando que a diferença de idade tornava difícil uma união duradoura, não querendo, por outro lado, impor ao amante o encargo do filho do Sr. de<br />
Ris. Morto este, o Sr. de Sassy, cada vez mais apaixonado (porque a Sr.ª de Ris fizera ainda mais bonita) renovara o oferecimento e a viúva deixara-se convencer.<br />
Foi então que o Sr. Villers se intrometeu. Pela primeira vez, mas não a última. Enquanto as relações do seu cunhado eram irregulares, ele não se impressionara. Um casamento, porém, criava uma situação diferente. Não obstante os seus quarenta e seis anos, a Sr.ª de Sassy podia ainda tornar a ser mãe e deixar herdeiros que o lesariam grandemente, se um dia o Sr. de Sassy,<br />
soldado intrépido e, até, temerário, sucumbisse à frente dos seus cavaleiros. Tentou obter a interdição das núpcias, alegando que a Sr.ª de Ris se portara com indignidade durante a viuvez. A causa era má. Perdeu.</p>
<p><strong>As malhas apertam-se.</strong></p>
<p>Encontrava, agora, no desaparecimento do cunhado, bom motivo para a desforra. No dia 10 de Maio de 1704, foi, portanto, efectuada a prisão da Sr.ª de Sassy. A Sr.ª De Chambonneau foi também presa dois dias depois. No dia 15 novas prisões: os dois padres familiares da residência de Sassy, abades de Ponsenac e de Viginaire, que teriam sido confidentes da marquesa. Recolheram à sombria Bastilha.<br />
Uma inquirição realizada na residência de Sassy permitiu à Polícia descobrir cartas, algumas das quais pareceram efectivamente misteriosas para interessar os magistrados. Uma, principalmente, em que se falava duma criança que teria nascido antes do casamento, das relações de Mme de Ris e do Sr. de Sassy, e cuja vinda teria sido &#8212; declarava o Sr. de Villers — a verdadeira razão pela qual o coronel teria desposado a bela viúva, sob a ameaça de chantagem, que esta lhe moveria. «Eis um filho — dizia e epistola — que Deus quis que eu tivesse. E o que você tanto queria. É seu, sem dúvida. É o filho que merece todas as esperanças do seu nome.»<br />
O caso tomava consistência. O dossier Villers ia aumentando. A Sr.ª de Sassy defende-se — mas mal. Não que confessasse alguma coisa. No entanto negava com voz macia, hesitante, com embaraços e contradições que impressionaram desfavoràvelmente os juízes. Villers desdobrava a sua ofensiva: acusou a cunhada de ter subtraído ao marido papéis comprometedores, estabelecendo que o Sr. de Sassy traira o rei, colocando-se ao serviço da República de Veneza, na altura em  guerra, não declarada é certo, contra Luís XIV. Primeiro ponto. E — segundo ponto—pretendeu demonstrar que a criança nascida antes do matrimónio (e que era conhecida pelo nome de Mignon) não era realmente filha do coronel nem fora fruto da própria Sr.ª de Ris, que fingira tudo para forçar o Sr. de Sassy a legitimar aquela ligação.<br />
Enganado, a princípio, o marquês afinal acabara por descobrir a fraude. Daí o violento desacordo entre os esposos. Em tudo isso devia ser procurado o móbil dum crime à primeira vista inexplicável.</p>
<p><strong>Á força da opinião pública</strong></p>
<p>A opinião pública, mal informada, era no conjunto hostil à acusada, que perdia terreno dia a dia — e parecia resignada. A posição pessoal do Sr. Villers no Parlamento, como fácilmente se imagina, era suficiente para conquistar os ouvidos dos seus colegas, tanto mais que sempre tivera a reputação de homem severo, de génio azedo e devorado pela ambição, mas homem direito apesar de um tanto rígido. Os co-acusados da marquesa, pessoas de medíocre inteligência e totalmente desamparados perante o aparelho judiciário, apenas sabiam gemer. O cocheiro Larive, que haviam pensado inculpar, de princípio comprara a sua tranquilidade concordando com tudo quanto quiseram. A acreditar no que dizia, o Sr. de Sassy e o cavalheiro de Rose tinham deixado a carruagem juntos, em Senlis. O cavalheiro só voltara duas horas mais tarde e fora ele — e não o Sr. de Sassy — quem dera ordem para prosseguir viagem.<br />
A marquesa parecia inexorávelmente destinada ao machado do verdugo. Um dos seus cunhados a perdia, um outro cunhado a iria salvar! O inquérito estava quase terminado. E o Parlamento ia ser encarregado do caso, quando voltou de Flandres, onde guerreava valentemente, o barão de Ransijac, capitão dos Guardas do Rei, casado com uma irmã da Sr.ª Sassy e homem honrado. Brilhante soldado, de vasta cultura, ligado estreitamente aos mais belos espíritos do tempo, era homem de inteligência firme e ágil ao mesmo tempo. Sa-bia, além do mais, que sólida afeição unia os Sassy e quanto o marquês confiava na esposa. Tudo na história que lhe contaram lhe pareceu inverosímil. Tratou de escolher um advogado de elevado renome (e quase homónimo da acusada), Sr. de Sacy, humanista distinto, ho-mem de coragem, generoso, académico&#8230;<br />
Sacy, logo que estudou o processo, notou toda a perfídia do Sr. de Villers. O documento-colossal, que servia de base à acusação, a famosa carta da Sr.ª de Sassy, anunciando o nascimento do filho ao amante, fora odiosamente truncado pelo conselheiro. O jovem Mignon, que vivia na residência de Sassy, era filho de um casal de camponeses do Bourbonnais, paróquia de Saint-Irmont, Antonio Mercier e Georgette Vérat, casados legitimamente e bem conhecidos e respeitados.<br />
— Jamais disse outra coisa! — protestou Villers — O senhor apoia plenamente as minhas acusações. Sempre sustentei que a Sr.ª de Ris tudo havia forjado para forçar o amante a legitimar uma situação da qual já estava fatigado, ameaçando mesmo rompê-la. Sassy deixou-se apanhar na armadilha, aceitou dar o seu nome à amante, legitimando o filho recém-nascido.</p>
<p><strong>A verdade começa a ressaltar</strong></p>
<p>Villers, no seu desejo de agir, ia demasiado longe. A sua afirmação perdeu-o. Não foi difícil ao Sr. de Sacy demonstrar que, jamais, entre os esposos (ou amantes, se preferirem) se pensou em legitimar Mignon; a Sr.ª de Ris adoptara-o durante a viuvez, apresentando-o a Sassy como um filho adoptivo, nunca como legítimo.<br />
Mas, a carta? A famosa carta?<br />
Via-se que era a mesma perfeitamente inocente, quando se lia o texto integral. A Sr.ª de Ris apenas gracejava. Mignon sempre fora querido pelos esposos.<br />
Finalmente, que restava de perigoso no dossier? O testemunho da criadinha indiscreta. Interrogada com paciência, não tardou a confessar que, afinal, ouvira, só e só, a sua patroa pronunciar o nome do cavalheiro de Rose e acrescentar:<br />
- Eu fui contrária a esta viagem. Tenho pressentimentos sombrios. Pagarei com satisfação duzentos luíses ao cavalheiro, tão cedo voltem!<br />
Ficou demonstrado, de facto, que tinha sido o sr. de Sassy o único organizador da viagem, recusando dar à esposa detalhes sobre os negócios que ia tratar na Flandres e contentando-se em dizer:<br />
— Se tiver que me demorar mais tempo mandarei de volta o cavalheiro.<br />
A criadinha acabou confessando:<br />
— Foi o Sr. de Villers quem me sugeriu a depor, a primeira vez, conforme ficou registado.<br />
Se nem tudo se esclarecia, se, principalmente, o desaparecimento do coronel permanecia inexplicável, o papel da Sr.ª de Sassy mudava singularmente de aspecto. Mau grado tudo, o Parlamento, nas mãos de Villers, mantinha prisioneira a infeliz.<br />
Um «morto» que vive<br />
Cerca de 18 meses depois ocorreu o golpe teatral: o Sr. de Sassy reapareceu!<br />
Mais exactamente. Enviou notícias. E com uma pontinha de extravagância, que esclarecia muitas coisas. Na verdade, a história da «traição», tinha certo fundo de verdade. O Sr. de Sassy julgava-se feito para a diplomacia; esse valente soldado tinha a mania de dirigir os negócios europeus. Quando deixou o Exército, trabalhou sucessivamente com os embaixadores da Espanha, de Nápoles, de Veneza, etc. Da maneira mais cândida e também a mais complicada. Luís XIV porém não gracejava com esses assuntos. Babe-se que o famoso «Máscara de Ferro» não passava, de facto, de um vago negociador que se metera a agir junto dos plenipotenciários franco-piemonteses e de maneira pouco fiel à França. Pagou as suas irregularidades com a prisão perpétua. Sassy sentira-se ameaçado de alguma penalidade semelhante? Teve medo e começou a divagar, tomado da mania da perseguição. Confessou-se ao Sr. de Villers, que, longe de o acalmar, mais exasperou, maquiavèlicamente, os seus terrores, com a esperança (nada vã) de provocar uma catástrofe da qual ele beneficiaria. Totalmente perturbado, Sassy resolveu deixar Paris, indo residir no estrangeiro, onde procuraria refazer a vida sob falsa pursonalidade. Fingiu partir para Bruxelas, livrou-se do intendente e do cocheiro em Senlis, seguindo para Jersey.<br />
Essa carta, entretanto, não conseguiu convencer a resistência de Vilters. Taxou-a de falsa. Foi necessário que o governador de Jersey certificasse oficialmente a sua autenticidade para que a Sr.ª Sassy recuperasse, enfim, a liberdade.<br />
Dirigindo-se apressadamente, para junto do marido, tentou convencê-lo a regressar à França. Não o conseguiu logo, mas sòmente depois de muitos meses, arrancando do coronel a promessa de que desembarcaria próximamente em Saint-Malô. Porém Villers era um terrível inimigo: despachou um emissário que, bem instruido e hábil, interrogou o coronel de tal forma que o desgraçado acreditou haver caido numa armadilha preparada pelo rei. Quando a Sr.ª de Sassy voltou para a sua companhia, estava ele louco.<br />
O Sr. de Villers triunfava: morto o coronel, obteve imediatamente a administração da sua fortuna.</p>
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		<title>Emblemas Célebres</title>
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		<pubDate>Tue, 27 May 2008 09:07:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Administrador</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[As festas realizadas em Portugal para celebrar o casamento do príncipe D. Afonso, filho de D. João II, com a princesa D. Isabel, filha do rei de Castela, foram das mais brilhantes de que há memória entre nós. Dias a seguir se justou, comeu e bebeu a rodos, gastando-se um dinheirão louco. Então a cidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As festas realizadas em Portugal para celebrar o casamento do príncipe D. Afonso, filho de D. João II, com a princesa D. Isabel, filha do rei de Castela, foram das mais brilhantes de que há memória entre nós. Dias a seguir se justou, comeu e bebeu a rodos, gastando-se um dinheirão louco. Então a cidade de Evora viu coisas assombrosas.<br />
Nos paços reais da magnífica capital alentejana, efectuaram-se jogos de cavalaria espaventosos e entremezes grandiosos. Nesse tempo estavam em moda os emblemas. Apareceram alguns interessantíssimos, dos quais vamos reproduzir os mais notáveis, segundo as indicações do cronista Resende.</p>
<p>O conde de Abrantes, D. João de Almeida, trazia uma hidra de sete cabeças com esta legenda:<br />
<em>Quando sanam de um dolor<br />
los que como yo padece<br />
n siete del se le recrecen.</em></p>
<p>O coudel-mor, D. Francisco da Silveira, levava luas cheias e luas vazias, com<br />
esta letra:<br />
<em>Las menguadas son mis bienes<br />
y por ser mi dicha tal<br />
las llenas son de mi mal.</em></p>
<p>O famoso D. João Manuel, poeta muito celebrado entre as damas, levava o sol, e dizia:<br />
<em>Sobre todos resplandece mi dolor<br />
porque es el que es mayor.</em></p>
<p>D. Rodrigo de Monsanto levava por emblema a simbólica torre de Babilónia.<br />
A letra era:<br />
<em>Es tan bafa mi ventura y tan alto el edifício<br />
que no basta mi servicio.</em></p>
<p>Diogo Pereira, mais tarde elevado a conde da Feira, ostentava o anjo S. Miguel com as balanças. Eis a letra:<br />
<em>Si a mi grau querer y fé galardon tiene defesa<br />
tu lo pesa.</em></p>
<p>O emblema de D. Lourenço de Brito era Mercúrio. A letra dizia:<br />
<em>No ay saber ni descricion<br />
al que os mira<br />
porque viendoos se le tira.</em></p>
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