Emblemas Célebres
As festas realizadas em Portugal para celebrar o casamento do príncipe D. Afonso, filho de D. João II, com a princesa D. Isabel, filha do rei de Castela, foram das mais brilhantes de que há memória entre nós. Dias a seguir se justou, comeu e bebeu a rodos, gastando-se um dinheirão louco. Então a cidade de Evora viu coisas assombrosas.
Nos paços reais da magnífica capital alentejana, efectuaram-se jogos de cavalaria espaventosos e entremezes grandiosos. Nesse tempo estavam em moda os emblemas. Apareceram alguns interessantíssimos, dos quais vamos reproduzir os mais notáveis, segundo as indicações do cronista Resende.
O conde de Abrantes, D. João de Almeida, trazia uma hidra de sete cabeças com esta legenda:
Quando sanam de um dolor
los que como yo padece
n siete del se le recrecen.
O coudel-mor, D. Francisco da Silveira, levava luas cheias e luas vazias, com
esta letra:
Las menguadas son mis bienes
y por ser mi dicha tal
las llenas son de mi mal.
O famoso D. João Manuel, poeta muito celebrado entre as damas, levava o sol, e dizia:
Sobre todos resplandece mi dolor
porque es el que es mayor.
D. Rodrigo de Monsanto levava por emblema a simbólica torre de Babilónia.
A letra era:
Es tan bafa mi ventura y tan alto el edifício
que no basta mi servicio.
Diogo Pereira, mais tarde elevado a conde da Feira, ostentava o anjo S. Miguel com as balanças. Eis a letra:
Si a mi grau querer y fé galardon tiene defesa
tu lo pesa.
O emblema de D. Lourenço de Brito era Mercúrio. A letra dizia:
No ay saber ni descricion
al que os mira
porque viendoos se le tira.
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